sábado, 7 de janeiro de 2012

A Carta





Uma analogia para se entender a interpretação bíblica de hoje em dia.

Imaginemos a seguinte questão: Eu, Eduardo, decido escrever uma carta para a minha família sobre assuntos do nosso dia a dia, para ajudar a resolver problemas internos que toda família tem.

Assim, eu uso termos de linguagem que são bastante comuns dentro de minha família. Trato de assuntos específicos de nosso convívio de um jeito particular, pois a gente se entende de um jeito só nosso.

Então, depois que minha família lê esta carta e entende tudo o que eu estava querendo dizer nela, alguém pega uma cópia desta carta e decide usar os conselhos que existem ali para a sua própria família. Não tem nenhum problema nisso, pois os conselhos contidos na minha carta, são bons para qualquer família que esteja passando pelas mesmas dificuldades.

Mas, a pessoa que pegou uma cópia, decidiu que, em vez de entender a minha carta, a forma que eu converso com minha família, as expressões que eu uso dentro do meu contexto familiar, ela iria reinterpretar as minhas palavras, sem a minha permissão. Ela fez isto por três motivos: por causa de preguiça de perguntar para algum de meus parentes o sentido daquele texto; por soberba por ter que assumir que precisa do autor e de seus parentes para entender o texto que eu escrevi e; por maldade pura e simples, por não achar necessário nenhum conhecimento prévio sobre aquele texto que eu escrevi.

Então, com o passar do tempo, e com a influência da pessoa que copiou meu texto, a carta copiada começou a ser muito divulgada, e passou a ter status de carta original, mesmo sendo apenas uma cópia que não levou em consideração fatos importantes em sua composição e explicação.

E, quando alguma dúvida sobre o conteúdo do texto em questão aparece, a pessoa consultada sempre é a copista e outras pessoas que fizeram cópias e comentários encima do comentário da primeira pessoa que copiou a minha carta original.

E, por incrível que pareça, hoje a cópia, e as interpretações da cópia, possuem mais valor do que o meu texto original, do que o texto que meus familiares receberam por meu intermédio.

E, o mais engraçado de tudo isso, é que sempre que um parente meu vai tentar explicar a minha carta, ele é encarado como um mentiroso, mesmo sendo meu parente, e conhecendo a forma que minha família se comunica, conhecendo todos os termos que usamos no nosso dia a dia.

Vai entender né, o poder de uma cópia junto de muitas interpretações, é um poder maior do que o original e seus destinatários. Vai entender isso, não é mesmo?

Esta é a história da minha carta e dos problemas da minha familia, que acabaram virando milhares de cartas copiadas e milhares de livros explicando aquilo que eu escrevi para a minha própria parentela.

Com um simples detalhe, hoje em dia, se eu pegar um exemplar desses comentários que existem sobre a minha carta, nem eu mesmo reconheceria que escrevi aquilo hehe.
Hoje existem até pessoas que duvidam que fui eu mesmo que escrevi a carta.
Repetindo, vai entender o poder de uma cópia e suas interpretaçoes não é mesmo? hehe.

Autor:Eduardo E. da silva.

Editado por: Leticia Schweig.

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